Quantas das suas fotos realmente existem fora da tela?
- Lucas Fiore

- 29 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de mar.
Recentemente, tenho pensado muito sobre esse assunto.
Para dar um contexto, fotografo ativamente há 8 anos. Isso se traduz em milhares de fotos tratadas: fotos de viagens, retratos de família, fotografia de rua, etc.
Todas estão armazenadas em HDs externos (exceto aquelas que estavam no celular roubado, sem backup, um aprendizado), algumas organizadas em pastas temáticas, e muitas ainda esperando um direcionamento.
No máximo, um punhado dessas fotos está pendurado nas paredes da casa da minha mãe, e um número ainda menor nas paredes da minha casa.
Algumas estão impressas e coladas em álbuns. Outras foram postadas no Instagram, com poucos seguidores e quase sempre curtidas pelas mesmas pessoas.
Não me entendam mal: não estou reclamando. Principalmente porque sou fotógrafo hobbista, e todo esse processo é, antes de tudo, uma terapia para mim. Ainda acredito que a maior graça de fotografar está em estar ao ar livre, clicando, colocando a cabeça para funcionar, independentemente de o resultado ser satisfatório.
Também pude constatar, se me permitem desviar um pouco da pergunta inicial, que desenvolver uma linguagem própria é um processo extremamente demorado e desafiador. Envolve coragem, insistência, criatividade e, definitivamente, o contato com boas referências.
Mas, voltando ao tema: qual é o destino final das suas fotos?
Por muito tempo, me satisfiz com o processo que descrevi antes, cujo destino era a minúscula tela do celular, onde as imagens são vistas, às vezes, por menos de 5 segundos.
Até que algo mudou a minha visão.
Surgiu a oportunidade de participar de um concurso para expor minhas fotos em um museu de prestígio em São Paulo. As regras eram claras: enviar até 20 fotos, além de um texto sobre o projeto e uma autobiografia.
Montei dois projetos com grande empenho: um com fotos produzidas em 2024 e outro em 2025. Projetos que, sem dúvida, são resultado de anos de lapidação do meu olhar fotográfico.
Bom… não fui selecionado.
Mas o processo foi tão enriquecedor que me pareceu um desperdício simplesmente engavetá-lo.
Foi assim que surgiu a ideia de transformar esses projetos em um fotolivro.
Vivemos em tempos privilegiados nesse aspecto: hoje temos acesso facilitado a ferramentas que antes eram muito mais restritas. Recebi a indicação de um laboratório que disponibiliza seu próprio software de diagramação gratuitamente e, assim, nasceu o meu primeiro fotolivro autoral.
É difícil explicar a satisfação de folhear o livro e mostrá-lo para pessoas interessadas. Eu sempre gostei de comprar fotolivros autorais, e ter algo com a mesma qualidade de impressão, feito por mim, foi uma experiência incrível.
Meu primeiro fotolivro:
Com essa injeção de ânimo, decidi desengavetar outro projeto: enquadrar minhas fotos favoritas para colocá-las nas paredes da minha casa.
Quem tem amigos, tem tudo.
Assim como recebi dicas para imprimir o fotolivro (obrigado, Nilo!), também recebi uma excelente indicação de onde fazer as molduras (obrigado, Luciana!).
Montei duas paredes principais e até coloquei fotos no hall do elevador. Novamente, é indescritível a sensação de olhar para essas imagens todos os dias.
Meus quadros. Todas as fotos são de minha autoria:
E posso afirmar: esse sentimento supera, e muito, o de receber um “like”.
Foi então que uma analogia ficou mais clara para mim.
Podemos pensar a fotografia como uma linha de produção, com começo, meio e fim. Você precisa de equipamentos, matéria-prima e conhecimento (começo). Precisa fotografar (meio). E, para completar o ciclo, a fotografia precisa estar no papel (fim).
Não é à toa que a escola de fotografia pede impressões em tamanho A4 ao final de cada curso. É uma forma de incentivar o aluno a experimentar a alegria de ver suas imagens materializadas, em um tamanho que permita uma apreciação real do resultado.
Afinal, é inegável: uma fotografia impressa em A4 (ou maior) é muito mais impactante do que uma imagem minúscula na tela do celular.
Enfim, espero que este texto tenha feito sentido e, quem sabe, traga algum tipo de inspiração.
Não deixe que o destino final das suas fotos seja o Instagram.
Vá além, garanto que vale a pena.
Nota: para quem ficou curioso: o fotolivro foi encomendado na Digipix, e as molduras foram feitas na Syl’Arte Molduras.
As indicações vieram de colegas do curso na Foto Conceito; o Nilo, assim como eu, um grande entusiasta, e a Luciana, que atua profissionalmente com muita competência e dedicação.
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Quantas das suas fotos realmente existem fora da tela?
Quantas das suas fotos realmente existem fora da tela?
Por Lucas Fiore.
Médico é a sua profissão.
Fotografia é seu hobby.
Aluno FOTO|CONCEITO
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