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  • Lucas Fiore

Fotografia com equipamento micro quatro terços. Vale a pena?

Atualizado: 4 de set. de 2023

É hora de falarmos sobre um dos sistemas mais subestimados da fotografia: o Micro Quatro Terços (M4/3). Este sistema marcou um dos grandes avanços na fotografia digital. Sendo assim, todo fotógrafo deveria ao menos conhecer seu impacto histórico, e suas características básicas. Ok, poderiam ter contratado uma equipe melhor de marketing para nomear o sistema, e para divulgar suas (numerosas) qualidades. E definitivamente seria interessante se houvesse investimento deste sistema no Brasil (ele é mais comercializado na América do Norte, Europa e Ásia). Dito isso, estamos falando de um sistema extremamente maduro, com coleção completa e muito competente de Equipos e de Objetivas. Afinal, é o sistema que trouxe a tecnologia "mirrorless" para o mercado (isso mesmo, não foi a Sony). O primeiro equipo mirrorless do mundo é da Panasonic (Panasonic Lumix DMC-G1, lançada em outubro de 2008).


Mirrorless Lumix Foto Conceito Escola de Fotografia
Panasonic Lumix DMC-G1 lançada em 2008. Uma das primeiras MIrrorless Micro Quatro terços (M/3). Fonte : Divulgação Panasonic.

Vou começar explicando a diferença básica para os outros sistemas: na fotografia digital, o sensor que ficou padronizado como referência para as distâncias focais das objetivas é o sensor full frame (FF), que tem a mesma área de um filme de 35mm (ou seja, uma objetiva 50mm no filme de 35mm também terá 50mm na equivalência full frame). O sensor APS-C tem cerca de metade da área do sensor full frame, e o sensor micro quatro terços tem cerca de um quarto da área do sensor full frame. Devemos lembrar também que os sensores de médio formato são maiores que o full frame. O que isso significa, na prática? Basicamente duas coisas: quanto maior o sensor, maior a capacidade de captar luz, e menor a profundidade de campo (ou seja, terá menos ruído em ISOs maiores, e maior facilidade para obter “Bokeh”/desfoque do fundo). Para exemplificar, levando em consideração sensores produzidos na mesma época, uma objetiva M4/3 14mm 1.4 será equivalente a uma objetiva APS-C 18mm 2.0, que por sua vez será equivalente a uma objetiva full frame 28mm 2.8, em termos de distância focal e profundidade de campo. A FOTOMETRIA das três será a mesma (ou seja: fotos com ISO, obturador e abertura iguais resultarão em exposição IGUAL, e profundidade de campo DIFERENTE).

Outro detalhe legal: existe uma aliança global oficial de várias companhias para desenvolver o sistema, incluindo alguns “pesos pesados” da indústria como Panasonic, OM Solutions (antiga Olympus), Leica, Sigma, Carl Zeiss, DJI e Blackmagic, dentre outros (lista completa em https://www.four-thirds.org/en/contact/). Por ser um sistema de código relativamente aberto, fica mais fácil para que haja um esforço conjunto no desenvolvimento da tecnologia. Posso afirmar com toda a segurança que as objetivas profissionais da Panasonic em parceria com a Leica e as objetivas da Olympus/OM Solutions não perdem em absolutamente nada para a linha L da Canon, em termos de construção e qualidade óptica.


Fotografia com equipamento micro quatro terços.
Micro Quatro Terços da Blackmagic. Um dos vários equipos para uso profissional deste formato. Fonte: Divulgação.

Dúvida muito pertinente: por que alguém iria preferir utilizar um sensor menor? Seguem alguns argumentos sólidos: 1- O sensor pode ser menor que o APS-C e o Full Frame, mas é gigantesco comparado ao sensor de um smartphone. 2- Preço. Os sensores M4/3 são mais baratos para produzir, e portanto os equipos tem valores de mercado menores em relação aos análogos APS-C e FF. O mesmo vale para as objetivas. 3- Ergonomia. Sensores M4/3 são compatíveis com objetivas menores e equipos mais leves. Essa diferença começa a ficar muito expressiva no campo das teleobjetivas (uma Canon 600mm 4.0 pesa 5,4kg, enquanto uma Olympus 300mm 4.0 pesa 1,3 kg!). Em médio/longo prazo, essa diferença de peso pode fazer uma diferença enorme para a coluna do fotógrafo! 4- Velocidade de leitura do sensor. A leitura do sensor menor exige menos processamento. Isso ajuda principalmente para vídeo (reduz necessidade de cropar o sensor para realizar a leitura). 5- Profundidade de campo mais abrangente. Enquanto essa característica é menos desejada em um retrato (nesta situação o “Bokeh” é praticamente fundamental), ela é excelente por exemplo no contexto de fotografia de Rua e de paisagens. 6- Fotografia de vida animal e esportiva. As teleobjetivas são mais leves, tem maior profundidade de campo, e valor mais acessível. 7- Fotografia Macro. É mais fácil para um objeto ocupar toda a área do sensor. Resumo da ópera: não existe sistema perfeito. Todos os sistemas, sem exceção, têm prós e contras. Sistemas com sensor maior são mais caros e mais pesados, porém são essenciais por exemplo em fotografia profissional de moda, fotografia em lugares escuros sem flash, ou fotografia fine art que necessite de largas impressões. Na fotografia profissional no Brasil, faz muito sentido investir em Canon ou Fujifilm, por serem as duas empresas que investem em serviços de venda e manutenção autorizados. Pensando, porém, no contexto de uma viagem: não seria melhor carregar um equipo mais leve e igualmente confiável? Vale o mantra: “deve-se utilizar a ferramenta mais adequada para cada objetivo”. Para meu uso (fotografia de rua, viagens, cotidiano), este sistema é o que melhor atende as minhas necessidades (amo compras com custo-benefício, e gosto de fugir um pouco do senso comum). Existe inclusive um fotógrafo de casamentos brasileiro renomado que utiliza este sistema, com muita competência. Ao vermos um belo quadro, não perguntamos ao artista qual pincel ele utilizou. Para fotografia, este raciocínio também é muito válido. O equipo é somente uma ferramenta, nunca esqueçam disso.


Fotografia com equipamento micro quatro terços.
Olympus OM-1 da empresa OM Solutions, que comprou a Olympus. Esse equipo é o último lançamento (2022), tem inúmeros recursos profissionais interessantes (usa um sensor com tecnologia stacked, que tem leitura extremamente rápida).

Fotografia com equipamento micro quatro terços. Vale a pena? Autor: Lucas Fiore fez seu primeiro curso na Foto Conceito em 2018 (básico + avançado). Desde então, já cursou os módulos de Flash, Book, Percepção Fotográfica e Vídeo, além de participar de dezenas de saídas fotográficas da escola. Tem em sua coleção particular muitos livros autorais dos seus fotógrafos prediletos, incluindo William Eggleston, Cartier Bresson, Robert Frank e Alex Webb. Iniciou sua prática com uma Canon T5i. Em seguida, sentiu que precisava de mais recursos e mudou para a Canon 80D. Em 2019, comprou seu primeiro equipo Mirrorless (M4/3), e desde então não voltou atrás. Hoje utiliza três equipos M4/3 (Olympus OMD EM10 Mk III, Panasonic GX9 e Panasonic G9, este último de maneira híbrida). Suas objetivas prediletas, para o sistema que usa (M4/3), são a Panasonic Leica 15mm 1.7 e a Panasonic Leica 25mm 1.4. Utiliza também a Ricoh GR II e a Pentax Q (equipos muito compactos, sendo o último a menor câmera de lentes intercambiáveis do mundo). *As opiniões deste texto não necessariamente refletem as opiniões da escola.

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