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  • Lucas Fiore

Introdução à Fotografia de Rua. O gênero mais democrático da fotografia.

Atualizado: 4 de set. de 2023

A fotografia tem inúmeros gêneros e subgêneros. Para muitos deles, é necessário equipamento específico, como por exemplo: sensor com muitos megapixels (fine art / paisagens), sistema de tochas, difusores e rebatedores (book em estúdio, editorial de moda), objetivas específicas (objetivas claras para eventos noturnos), acessórios como tripés e filtros (imobiliária). Contudo, existe um gênero que não exige praticamente nada em termos de equipamento (pode ser realizada com a câmera do celular!), e, portanto, pode ser praticado por virtualmente quase qualquer pessoa: a Fotografia de Rua.

Não se engane. É extremamente desafiador. Afinal, tudo que ela não exige de equipamento, ela exige de conhecimento técnico e “cultural”. O chef Alex Atala já dizia: “o difícil não é fazer o que poucos fazem. É fazer o que todo mundo faz, só que melhor”. Aliás, esse talvez seja o maior desafio: fugir dos clichês. Além disso, a fotografia de rua funciona no tempo dela. Às vezes, nada acontece, e nem o fotógrafo mais talentoso conseguirá uma foto incrível e duradoura.

Mas eu estou me adiantando. Vamos começar pelo começo. A fotografia de rua é derivada do fotojornalismo, e tem como principal objetivo documentar a vida cotidiana em espaços públicos. Espontaneidade é palavra-chave.

Podemos afirmar de certa forma que o “avô” da fotografia de rua é o húngaro Andre Kertesz, que começou a fotografar com uma Leica em 1928. E ele tinha um “certo” admirador, o grande Henri Cartier-Bresson, que é provavelmente a maior referência do gênero, e poderia ser chamado de pai da fotografia de rua.


Fotografia de Rua Escola Foto Conceito
Autoria de Andre Kertesz

Fotografia Fine Art Foto Conceito escola
Autoria de Henri Cartier-Bresson

Vamos a algumas características do gênero. A primeira delas, é que é uma excelente forma de lazer (até porque não costuma ser uma boa fonte de renda; a maioria dos fotojornalistas tem outros empregos para complementarem a renda). É muito prazeroso se reunir com amigos e sair para fotografar, tal qual o fazemos nas saídas fotográficas da escola Foto Conceito. Outra vantagem deste gênero é que ele pode ser praticado por fotógrafos introvertidos, uma vez que não envolve direção da cena. É possível realizar belas fotos sem o mínimo de interação (em contrapartida, a empatia ajuda muito, pois em última instância acaba havendo interação, mesmo que sem intenção).

Há ainda duas comparações que adoro. A primeira delas é com a prática do Skate. Afinal, é ótimo de praticar com amigos, explorar locais novos, experimentar novas manobras/estilos, não ser pego pelas autoridades, desenvolver sua marca registrada. Outra comparação interessante é com fotografia de eventos, pois é preciso ter noção do que está acontecendo na cena, estar alerta, prever os próximos acontecimentos, e saber que uma chance perdida não voltará jamais.

Em relação a equipamento, um simples smartphone já é suficiente para algumas situações. Quanto maior o equipo, mais o fotógrafo chamará a atenção. Um equipo ideal para fotografia de rua deve contemplar as seguintes características: agilidade, foco rápido, discrição, portabilidade, custo-benefício, boa ciência de cores, ergonomia, e obturador silencioso. Os dois equipos mais clássicos e populares mundo afora, que contém todas essas características, são a Ricoh GR III (Pentax) e a Fujifilm X100V. Outra alternativa é a Fujifilm XF10. Mas reitero que pode ser realizada com QUALQUER equipamento. E a meta é se DIVERTIR (e sem incomodar os outros, claro).



Faremos outras postagens com dicas técnicas e artísticas. Acompanhem o Blog. Neste meio tempo, seguem algumas grandes referências na fotografia de rua: Andre Kertesz, Henri Cartier Bresson, Robert Frank, Alexx Webb, Fan Ho, Nan Goldin, Susan Meiselas, Josef Koudelka, Trent Parke, Daido Moriyama.

Um forte abraço e até a próxima. Abaixo algumas fotos de minha autoria.


Introdução à Fotografia de Rua. O gênero mais democrático da fotografia.

Nota sobre o autor: Lucas Fiore fez seu primeiro curso na Foto Conceito em 2018 (básico + avançado). Desde então, já cursou os módulos de Flash, Book, Percepção Fotográfica e Vídeo, além de participar de dezenas de saídas fotográficas da escola. Tem em sua coleção particular muitos livros autorais dos seus fotógrafos prediletos, incluindo William Eggleston, Cartier Bresson, Robert Frank e Alex Webb. Iniciou sua prática com uma Canon T5i. Em seguida, sentiu que precisava de mais recursos e mudou para a Canon 80D. Em 2019, comprou seu primeiro equipo Mirrorless (M4/3), e desde então não voltou atrás. Hoje utiliza três equipos M4/3 (Olympus OMD EM10 Mk III, Panasonic GX9 e Panasonic G9, este último de maneira híbrida). Suas objetivas prediletas, para o sistema que usa (M4/3), são a Panasonic Leica 15mm 1.7 e a Panasonic Leica 25mm 1.4. Utiliza também a Ricoh GR II e a Pentax Q (equipos muito compactos, sendo o último a menor câmera de lentes intercambiáveis do mundo).

*As opiniões deste texto não necessariamente refletem as opiniões da escola.

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